Nome: Associação dos Remanescentes de Quilombo do Bairro Mandira

 

Fundada em: 31 de março 1995.

 

Publicação RTC: D.O. E – Diário Oficial do Estado; Poder Executivo, Seção I, São Paulo, 112 (49), sexta-feira, 15 de março de 2002 – 4 – 5 – 6.

 

RTC - Relatório Técnico Científico de identificação étnica e territorial dos remanescentes de Quilombo feito pela antropóloga Maria Cecília Manzoli Turatti e equipe técnica da Assessoria de Quilombos do ITESP - Instituto de Terras do Estado de São Paulo.

Memorial Descritivo: Perímetro 4º Cananéia e Terras não descriminadas

                                Município Cananéia

                                Gleba: Comunidade Mandira

                                Área: 2.054,6463 ha. Perímetro: 37.971,96 m

 

Retificação: D.O. E – Diário Oficial do Estado; Poder Executivo, Seção I, São Paulo, 112 (51), terça-feira, 19 de março de 2002 – 8 – 9 – 10.

Memorial Descritivo:Perímetro 4º Cananéia

                                   Município Cananéia

                                   Local Gleba: Comunidade Mandira

                                   Área: 2.054,6463 há. Perímetro: 37.971.96m

 

Reconhecimento pela FCP – Fundação Cultural Palmares: 02 março de 2005.

 

HISTÓRIA DO QUILOMBO DE MANDIRA

 

Segundo pudemos apurar, a fundação da comunidade Mandira remonta à segunda metade do século XIX, mais precisamente no ano de 1868, quando o patriarca da família, Francisco Mandira, recebeu uma sorte de terras denominada Sítio Mandira, na forma de doação, de sua meia-irmã, Celestina Benícia de Andrade 19. Francisco seria, então, fruto da relação do senhor de escravos Antônio Florêncio de Andrade - homem de posses e significativa influência política na Vila de Cananéia 20 - com uma de suas escravas, cujo nome não nos foi possível recuperar. Em pesquisa realizada no Arquivo do Estado de São Paulo, mais especificamente nos registros dos Maços de População de Cananéia  (microfilmagem, rolo 38), encontramos a descrição completa da família de Antônio Florêncio de Andrade, bem como a de seus agregados e escravos. No ano de 1831, a filha Celestina Benícia contava 18 anos e, no rol dos escravos, aparecia um Francisco, com a idade de 7 anos. Já em 1848, Celestina tem agora 37 anos e o escravo Francisco aparece com 24 anos. Supondo que Celestina e seu meio-irmão Francisco tivessem uma diferença de idade não muito grande, visto que a primeira fez a doação de terras em vida em 1868, podemos deduzir -mas não com precisão absoluta  – que o Francisco ali registrado era Francisco Mandira, o patriarca da comunidade ora em tela 21.

Os relatos orais nos apresentam dois filhos de Francisco Mandira, João Vicente Mandira e Antônio Vicente Mandira (uma filha, chamada Flora, é mencionada por um único morador atual, mas não há na memória genealógica da comunidade um registro definido a este respeito). Provavelmente, Francisco Mandira casou-se com Tereza, ou “Mamãe Tereza”, tal como gravado na memória de alguns mandiranos mais antigos.  Com a morte de Francisco , Antônio Vicente e João Vicente dividiram entre si os cerca de 1.200 alqueires (2.900 hectares) que compunham o “Sítio Mandira” original, ficando o primeiro com as terras altas da Serra do Mandira, na região onde se localiza o Salto do Mandira, e o segundo estabeleceu-se no território abaixo da serra da Boacica, hoje reinvidicado pela comunidade, entre os rios Acaraú e Cambupuçava.

 Segundo os moradores, a família de Antônio Vicente Mandira vendeu paulatinamente suas terras e atualmente não há contato entre os descendestes deste e os atuais ocupantes do bairro Mandira.João Vicente Mandira casou-se com Maria Augusta e teve dez filhos, cada um deles gerando sua descendência e contribuindo para o aumento de população do bairro Mandira.

19 Embora não tenhamos conseguido recuperar o texto da doação em nenhum cartório da região, já que se tratava de instrumento particular, o Pe, João Trinta, pároco do município de Cananéia, teve acesso a tal documento, provavelmente via os moradores mais velhos da comunidade que o conservavam e providenciou uma transcrição legível, repassada aos moradores de Mandira, por nós anexada ao término deste tópico. Cabe ressaltar que uma das hipóteses para o sumiço deste documento é a de que ele estaria com Amâncio Mandira, hoje residente no Paraná, que o teria herdado de seu pai, João Vicente Mandira Filho. A comunidade Mandira sempre teve um membro “eleito”  para cuidar de processos burocráticos e a quem era confiada a guarda de todos os documentos. Com a morte deste, esta tarefa era naturalmente delegada a um filho seu.

20 Em pesquisas empreendidas no Arquivo do Estado de São Paulo, no material referente aos “Ofícios Diversos” de Cananéia (Caixa 00862), encontramos menção à família Andrade. Consta que Antônio Florêncio de Andrade ocupava postos na estrutura de organização política do município, indicado pelo governador da província de São Paulo. Seu filho, José Florêncio de Andrade, foi membro da Câmara Municipal por diversas legislaturas.

21  A  complementação dos dados orais reconstituintes da gênese da comunidade mediante registros

históricos documentados foi tarefa bastante prejudicada no curso desta investigação antropológica. Os livros paroquiais que registravam batismos e casamentos de escravos encontram-se na Cúria Metropolitana de Registro. Segundo a responsável por esse arquivo, Ir. Odete, os livros em questão estão em péssimo estado de conservação. Assim, além da legibilidade estar compremetida, não há como proceder consultas sem o acamponhamento da responsável, o que inviabilizou nossa pesquisa nesta fonte, já que os horários de consulta monitorada são exíguos.  Ir. Odete realizou uma pesquisa parcial em alguns poucos livros, mediante dados fornecidos a ela por nós, e disse não ter encontrado qualquer referência que pudesse nos ser útil.

Fonte: RTC ITESP fevereiro de 2002.



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