Nome: Associação dos Remanescentes de Quilombo do Bairro André Lopes.

 

Fundada em: 27 de agosto de 1998.

 

Publicação RTC: D.O. E – Diário Oficial do Estado; Poder Executivo, Seção I, São Paulo, 111 (10), terça-feira, 16 de janeiro de 2001– 7.

 

RTC - Relatório Técnico Científico de identificação étnica e territorial dos remanescentes de Quilombo feito pela antropóloga Maria Celina pereira de Carvalho e equipe técnica da Assessoria de Quilombos do ITESP - Instituto de Terras do Estado de São Paulo

Memorial Descritivo: Perímetro 10º, 11º e 23º de Eldorado Paulista

                                   Município Eldorado

                                   Gleba: Comunidade André Lópes

                                   Área: 3.063,6970 ha – Perímetro: 31.239,55m

 

Retificação: D.O. E – Diário Oficial do Estado; Poder Executivo, Seção I, São Paulo, 111 (177), quarta-feira, 19 de setembro de 2001– 3.

 

 Memorial Descritivo: Perímetro 13º e 27º de Eldorado Paulista

                                     Município Eldorado

                                     Local Gleba: Comunidade  André Lopes

                                     Área: 3.200,1662 ha

 

Reconhecimento pela FCP – Fundação Cultural Palmares: 19 de junho de 2007.

 

HISTÓRIA DO QUILOMBO ANDRÉ LOPES

A história de André Lopes confunde-se com a de outro bairro vizinho, Nhunguara. Os mais velhos costumam dizer que “era tudo uma coisa só”. Os antropólogos do Ministério Público Federal verificaram que:

Os levantamentos das histórias locais que relatam a formação dos bairros de Nhunguara e André Lopes mostraram, além das estreitas relações sociais e de parentesco mantidas entre os dois núcleos, uma origem historicamente entrelaçada (Stucchi, 1998: 62).

Conforme ainda os antropólogos do MPF, é Antonio Paulino de Almeida quem esclarece as origens do nome do bairro:A localidade denominada André Lopes, conforme afirma Paulino de Almeida (1955: 11) “tem seu o seu nome em uma lenda segundo aqual aí teria naufragado o sargento-mór da ilha de São Sebastião André Lopes de Azevedo, casado com dona Maria Francisca e falecido na Freguesia de Xiririca, onde residia aos 15 de junho de 1764, na avançada idade de cem anos” (Krug, 1939: 589) descrevia a paisagem física do bairro a partir do morro André Lopes, “cujo pico calcáreo é coberto por expessa vegetação de Samambaia (...) em cada sinuosidade do rio elle se nos apresenta com aspecto diverso. Nesse morro existe a linda gruta calcárea da Tapagem, cuja vista é aconselhável àqueles que pretendem dedicar-se aos estudos

espeleológicos”, e que é atravessada pelo rio André Lopes (Stucchi, 1998: 62-63).

 

Vimos, algumas páginas atrás, que a formação dos bairros rurais negros do Vale deu-se através de um processo de acamponesamento de grupos de negros, fossem livres, libertos, fugidos ou abandonados por seus donos com a decadência da atividade mineradora na região. Sob esse ponto de vista, a formação do bairro André Lopes deve ser compreendida e analisada a partir de duas perspectivas:

 

1. A expansão territorial de grupos negros estabelecidos no entorno, como Ivaporunduva, São Pedro (antiga Lavrinha) e Nhunguara;

 

2. As fugas do recrutamento para a Guerra do Paraguai. Vejamos alguns trechos do laudo do MPF que apontam para essas duas perspectivas:

Segundo o relato de Maria Adelaide Pedrosa, aqueles que “abriram o lugar” em Nhunguara e André Lopes, seriam os antepassados de seu pai Tomé Pedroso de Moraes que era filho de Berberino e Mariana Dias, da Barra do Nhunguara. A primeira mulher de Tomé teria sido Joana Dias, de Ivaporunduva, e a segunda, Donária Arcângela Furquim, de São Pedro. Donária seria neta de Bernardo Furquim, filha de Ana Maria Furquim com João Vieira. João Vieira teve

um rol de irmãos, todos fixados em Nhunguara: Máximo, Sebastião, Domingos, Vicente, entre outros. A informante afirma que João Vieira teria se fixado no Continente: “no tempo dessas guerras que havia; depois que a guerra acabou, ele saiu e foi para a Lavrinha (São Pedro), do outro lado do rio. Ficou lá mesmo, casou com gente que morava na Lavrinha, ele foi buscar moças de lá prá cá”. Este João Vieira, avô da informante, seria filho de João Faustino Vieira e Joana Pedrosa, cujosítio estava localizado, segundo assento nº 478 do Livro de Terras de Xiririca, “no Ribeirão de Nhunguara do lado de Paranaguá, dividindo rio abaixo com terras de Ignácio Pupo em um córrego de nome Labrinha,aberto desde 1830”. Faustino Vieira reaparece, ainda, no livro de assentos de batismos três vezes, residindo em Nhunguara: em 05/04/1847 batizava o filho Vicente, unido à mesma Joana Pedrosa e em 01/07/1850, unido a Ana Pedrosa, batizava o filho Antonio. Alguns anos mais tarde, em 1862, Faustino Vieira e Joana Vieira batizavam ofilho Pedro e declaram residir em Ivaporunduva. Além desses, outro registro de batismo, de 05/10/1850, informa a presença de outro Vieira, Lourenço, “preto livre” em Nhunguara.

            O tronco Vieira é relacionado pelos informantes, também, à formação do bairro André Lopes. A partir de 1830, quando teria entrado pelos sertões de Nhunguara, a descendência dos primeiros Vieira,lembrados pelos informantes e identificados nos registros eclesiais, terse-ia espalhado pelas áreas de André Lopes também. Maria Adelaide Pedrosa relata: “André Lopes de cima é do João Vieira e André Lopes de baixo é dos Maia, avô desse João que tem aí. O de cima é dos Vieira e o de baixo é dos Maia. Aqui é André Lopes de cima, é dos Vieira, dos Dias.” Um certo José Ortiz, que dia 13/12/1856, declarou a posse de um sítio “na paragem denominada André Lopes” no assento nº 479 do Livro de Terras de Xiririca, descrevia a confrontação de suas terras com “Domingos Vieira em um pé de guararema” (Stucchi, 1998: 65-66).

Outras notícias sobre recrutamento na região dão conta, ao longode século XIX, que as ações para a obtenção de braços para o exército eram exercidas com violência, atingindo inclusive menores de idade entre 10 e 17 anos.

Uma das dificuldades das autoridades locais era exatamente “arrancar úteis à lavoura” ponderando estas sobre a impossibilidade de recrutar menores que “trabalhão na companhia de seus pais, mas unicamente os que vagão abandonados, e a quem esse estado falta educação conveniente e dão-se aos vícios” (Ofícios Diversos – Ordem 1339 – Lata 544/ASP).

A truculência dos procedimentos de recrutamento aumenta sensivelmente na segunda metade do século XIX quando o Brasil integra as forças que, juntamente com o Uruguai e a Argentina, iriam destruir o Paraguai numa guerra que duraria de 1865 a 1870. O exército brasileiro que combateu no Paraguai era formado por “voluntários da pátria” e recrutados à força em todas as regiões, ocupando posições distintas na escala social; a ele somava-se a existência de um grande número de combatentes ex-escravos, libertos para as agruras da luta.

Apesar do entusiasmo com que foi aberta a sessão extraordinária da Câmara Municipal de Xiririca em 7 de setembro de 1865 conclamando os súditos a pegar em armas para a defesa da “Pátria em sua aflição”, as adesões foram, no mínimo, decepcionantes. O presidente da Câmara ofereceu uma parte de sua fortuna como contribuição, impedido de alistar-se declarando-se “cortado pelas moléstias e anos”. Os demais participantes também ofereceram-se para treinar, instruir e fardar os voluntários e recrutas, mas não nenhum deles alistar-se-ia, sugerindo-se ampla divulgação sobre as premiações em terras aos combatentes voluntários que retornassem.

Dos sete alistados voluntários em Xiririca em 1865, um desistiu em 1º de novembro alegando ser “casado com mulher honesta com quem sempre viveu , ter 5 filhos todos pequenos”, tendo o “ amor de seus filhos e mulher dominado de tal maneira que lhe parecia impossível viver na ausência deles”.

Um ano depois a Câmara Municipal de Xiririca informava ao Presidente da Província que, até 18 de dezembro de 1866, haviam sido recrutadas 54 pessoas. A epidemia de cólera havia ceifado perto de 300 vidas em todo o município, o que tornava mais árdua a tarefa de atender as ordens provinciais sobre o recrutamento para a Guerra. Nesse sentido, resulta claro que as populações negras representavam um alvo importante para engrossar as fileiras do exército. Enquanto a Guarda Nacional, braço armado dos escravagistas, era formada por setores egressos das classes mais abastadas47, uma guia da Delegacia de Polícia de Xirirca descrevia o perfil do recrutado para compor as forças do exército ou da marinha:

João Miguel, casado, vivendo separado de sua mulher desde logo que se casou, idade de 25 anos, natural de Paranapanema, cor fulla, barba pouca, cabelos pretos, altura regular, reforçado de corpo, filho legitimo de Miguel Fernandes e de Lina Maria, de ocupação vagando a jorna”

(Ofícios Diversos – Ordem 130 – Lata 545/ASP).

 

Principalmente os homens solteiros, sem família e desprovidos de terras, os negros, mulatos e pardos, ainda que livres e libertos, estariam entre a massa de recrutáveis para o exército. Esse contingente comporia as fileiras do exército, representando este um espaço social subalterno, formado em sua imensa maioria por homens livres não proprietários, recrutados mais por castigo ou desemprego do que por qualquer vocação. A caserna seria o refúgio dos considerados desocupados, desqualificados e malfeitores, sobretudo, os negros.

Enquanto o subdelegado de Iporanga publicava um edital livrando “todo indivíduo de ser recrutado ao campo de guerra, si plantasse uma certa quantidade de semente de algodão. Naquela época nosso caboclo respeitava a lei; para, porém, fugir de suas obrigações militares, escondia-se – frequentemente no mato. Essa ukase veio, porém, a gosto de muita gente: saíram de seus esconderijos para plantar a famosa planta fibrática” (Krug; 1939: 565), em Xiririca, as perseguições foram sistemáticas e duras. As intensas cobranças provinciais aos administradores xiriricanos pelo aumento do número de recrutados provocaram reclamações contra as autoridades

de Iporanga que não estariam sendo diligentes, embora naquela localidade a maça de recrutáveis fosse considerada maior, em 1866 (Ofícios Diversos – Ordem 130 – Lata 545).

O povoamento de várias localidades habitadas fundamentalmente por populações negras no Vale do Ribeira, como Nhunguara e André Lopes e Sapatu, também deve ser analisado à luz

das fugas dos recrutamentos para a composição dos batalhões de combate para a Guerra do Paraguai. Uma profusão de relatos sobre a escolha de zonas de refúgio que acolheram inúmeras fugas está presente nas narrativas dos informantes residentes em vários bairros da região. Maria Adelaide Pedrosa relata que quem “abriu” a Caverna do Diabo, localizada no bairro de André Lopes, foi o tronco da família Dias:

 

“Na caverna quem morava era Filadelfo e Raimundo (...). Filadelfo era cunhado da mamãe [Donária Arcângela Furquim], marido de Mapoge. Foram os pais de Ana Santana que abriram lá (...), tinha outro filho também, o Osório que se mudou para Capão Bonito (...). Agora tem um Parque na caverna, (...) o Parque invadiu tudo, eles tiveram que ir cada vez mais para dentro, teve que sair.

 

Ao apontar os motivos que os levaram a ocupar a região da hoje chamada Caverna do Diabo, a informante indica: “ela foi aberta no tempo da guerra do tal de Paraguai, saíram correndo. Correram tudo para lá, trabalharam mato adentro na boca da caverna, boqueirão grande para dentro eles trabalhavam, nessa época eles eram todos

solteiros”.

 

João Maciel também relata que “lá perto da caverna tem um tal de Paraguaia que foi nessa Guerra do Paraguai, ele é desses Paraguaia. Eles emborcaram lá pelo sertão, onde é a caverna. Agoratem pouca gente deles, tudo já morreu. Eles contavam que depois elesdesertaram, correram e se esconderam perto da Santa de Rubuquara.Eles foram para a guerra mas não chegaram a assistir todos os combates; lá dentro tem um salão, eles se esconderam de medo que os soldados levassem à força, até passar a guerra”. Além do tronco Dias, Maria Adelaide Pedrosa indica que “tem gente Paraguaia que também abriu lá. Stucchi, 1998: 74-78).

 

Os dois primeiros parágrafos transcritos acima, que falam da expansão territorial a partir de outros grupos, apresentam um conjunto de nomes de pessoas e lugares os quais podem ser considerados bastante significativos para a compreensão da história da formação das comunidades rurais negras do Vale do Ribeira. Ivaporunduva, considerada a mais antiga, surgiu ainda no século XVII como área de mineração aurífera. A portuguesa Joana Maria, proprietária de minas e de escravos, no final da vida doou as terras à igreja, auforriou os escravos e voltou para sua terra natal. Bernardo Furquim, segundo relatos de sua bisneta Jovita Furquim de França, moradora da comunidade de Galvão, fugiu do cativeiro aos dezoito anos de idade, quando encontrava-se com feridas nos ombros de tanto carregar pedras. Ainda segundo Jovita, Bernardo fugiu com um pequeno grupo de mais dois homens e duas mulheres. Após vários dias de fuga pela mata, eles teriam encontrado outro grupo de escravos (ou melhor, ex-escravos) fugidos já estabelecido em Pedro Cubas, o qual lhes indicou o local onde hoje situa-se São Pedro como muito propício para a formação de um novo “acampamento”, além de oferecer-lhes mudas e sementes para o cultivo de roças. O laudo do MPF e a dissertação de Rosana Mirales48 mostram que os moradores de Pedro Cubas reconhecem como ancestral fundador do bairro, Gregório Marinho, escravo fugido de uma das maiores fazendas da região, a Caiacanga.

Bernardo Furquim formou as comunidades de Barra do São Pedro e Lavrinha, atuais Galvão e São Pedro, respectivamente, tendo-se incorporado à malha de relações sociais e de parentesco que já existia entre grupos de famílias negras estabelecidas na área. Bernardo Furquim teve 22 filhos com mulheres de vários desses grupos. Seus descendentes contribuíram de modo importante para a extensão dessa malha. Vemos que uma de suas filhas, Ana Maria Furquim, casou-se com João Faustino Vieira, procedente do Nhunguara e que teria ficado escondido na Caverna do Diabo durante a guerra do Paraguai. Maria Adelaide Pedrosa, uma das moradoras mais velhas de André Lopes, é bisneta de Bernardo; sua mãe, Donária Arcângela Furquim, era filha de Ana Maria Furquim e João Vieira. Domingos Dias Vieira, irmão de João Faustino Vieira, teria sido o descobridor da “gruta”, hoje chamada de Caverna do Diabo49.

Devemos observar que evidências documentais e relatos de moradores apontam a existência de outras famílias à época de chegada desses ancestrais fundadores. No entanto, estes são assim reconhecidos por seus descendentes devido à nova dinâmica que impuseram à economia política doméstica do lugar, às relações instituídas com grupos brancos dominantes do entorno, como comerciantes, e ao significativo reforço que deram às redes de parentesco existentes entre as populações negras da área, bem como a expansão de seus territórios.

Os registros de batismos apresentam alguns desses nomes. Como vimos acima, Faustino Vieira aparece registrando filhos com Joana Pedroso em 1847 e em 1872; e com Anna Pedroso em 1850. Devemos observar que ele aparece na condição de mulato liberto e as duas mulheres, na de pretas libertas. As irmãs Donária e Hemalporgia, filhas de Ana Maria Furquim e João Faustino Vieira, aparecem sendo batizadas em 5/10/1889, sendo que não consta a data de nascimento da primeira e a segunda nasceu em 3/3/1888. Domingos Dias Vieira (que às vezes também aparece como Domingos Vieira Parapunga), aparece, juntamente com Escolástica Pedroso, registrando os filhos Anna, nascida 5/11/1873 e Lourenço, nascido em 27/07/1874; e juntamente com Umbelina Maria da Costa, registra os filhos José, nascido em 11/05/1873, Zeferino, nascido em 07/12/1874, Antonio, nascido em 01/06/1889, e Evaristo, nascido em 05/07/1892. Máximo Vieira aparece, juntamente com Lourença Maximiana da Costa, registrando a filha Antonia, nascida em 03/02/1888, e juntamente com Justiniana da Costa, registra o filho Sérvio, nascido em 29/08/1890.

As histórias a que nos remetem os nomes de pessoas e lugares presentes nestes dois primeiros parágrafos do transcritos do laudo do MPF apontam para um amplo movimento de afluxo de grupos negros rumo a um processo de acamponesamento. Tais grupos, marginalizados pela sociedade branca dominante, constituíram seu próprio lugar dentro dessa mesma sociedade. A história de André Lopes certamente faz parte desse movimento. É importante observarmos que “ancestrais fundadores” de comunidades como São Pedro/Galvão (Bernarrdo Furquim), Nhunguara/André Lopes (João Vieira) e Sapatu foram contemporâneos, como mostra a farta documentação existente sobre batismos e registros de terras. Eles tiveram importante papel na constituição dessa área reconhecida no entorno como sendo de bairros de pretos, e também na configuração da econonia política desses bairros, uma vez que eram “fortes” (como dizem os moradores a respeito de Bernardo Furquim e de João Vieira). Ou seja, lideravam a produção e o comércio de consideráveis quantias de produtos da roça e outros, como farinhas de milho e mandioca e aguardente de cana.

Os parágrafos seguintes transcritos do laudo mostram que pelo menos desde o século XVIII, homens de famílias negras estabelecidas no Vale, sobretudo os solteiros, já eram perseguidos para o recrutamento militar, situação que foi agravada com a Guerra do Paraguai ocorrida entre os anos de 1865 e 1870.

Vimos que a família Vieira já estava em Nhunguara pelo menos desde 1830. Alguns descendentes afirmam que os Vieira são os mesmos Paraguaia, que ganharam esse apelido por causa da guerra. Há relatos de que João Vieira, juntamente com alguns irmãos solteiros, chegaram a ser recrutados e levados para lutar na guerra do Paraguai, mas conseguiram fugir e esconderam-se na área da atualmente conhecida como Caverna do Diabo. Na época em que os irmãos Vieira estavam escondidos, eles teriam descoberto a “gruta”, como até hoje é chamada pelos moradores essa caverna:

Os mais velhos desses Paraguaia, desse Antonio, o pai dele que foi lá se esconder de medo deles levarem ele para a guerra. Eram todos solteiros, ficavam com medo de levarem eles. Tem capoeira deles por lá, para aquele lado. Aí ficaram por lá. Tinha a guerra acabado, acostumaram lá no mato, ficaram morando. Foram parar lá por perto da gruta, eles que acharam a gruta (Maria Adelaide Pedrosa).

[Quem descobriu a caverna] foi o tal de Domingos Dias. (...) A história da caverna [...] Até meu sogro guardou feijão lá. Ele guardava o feijão debaixo daquela pedra dentro da caverna. Eles faziam a roça e enquanto o feijão secava, colocavam lá. Podia chover, não molhava (Aparecida Pedrosa de Morais).

Os primeiros que eu sei, que minha mãe falava, era o Domingos

Dias Vieira, que era o morador de lá antes. Ele que criava (...) e abriu aquela posse lá, o Domingos Dias Vieira com o filho dele. Então minha mãe contava a história assim. Eles trabalhavam a semana inteira, quando era final de semana, sábado, domingo, caçava, naquele tempo não tinha os problemas de hoje de caçar. Então eles iam caçar e aí encontraram aquela pedra lá e chamaram de gruta, hoje é caverna, mas chamava de gruta (Nelson Julio da Silva).

 

Vários descendentes dos Vieira referem-se a esses antepassados como Paraguaia. Por exemplo, Nelson Julio da Silva, bisneto de Domingos Dias Vieira, refere-se a filhos deste último chamados de Zé Paraguaia e Zeferino Paraguaia.

Terminada a guerra, João Vieira casou-se com a filha de Bernardo Furquim. Vemos Maria Adelaide dizer que outros irmãos ficaram na área da “gruta”, local chamado de sítio Tapagem. Segundo relatos de vários moradores mais velhos, alguns dos irmãos Vieira constituíram família e permaneceram em André Lopes e Nhunguara até o fim da vida. Seus filhos também permaneceram no lugar, e hoje muitos de seus netos e bisnetos moram nesses dois bairros:

 

Celina: Quem foram os primeiros que foram morar lá [no sítio Tapagem]?

Evaristo: Joaquim Vieira de Moraes, meu Avô.

Celina: Quem era a esposa dele?

Evaristo: Marcelina. Celina: Onde eram nascidos?

Evaristo: Nasceram no Nhunguara mas depois foram morar lá.

Celina: Dizem que Nhunguara e André Lopes era uma coisa só... Evaristo: Era uma família só.

(...)

Evaristo: Tinha os irmãos dele, do Joaquim [Vieira]: Sebastião Vieira, João Vieira, Domingos Vieira.

Celina: Todos eles moraram lá [no sítio Tapagem]?

Evaristo: Moraram lá, abriram propriedade lá, são os antigos lá.

Celina: Os filhos do Joaquim ficaram morando lá?

Evaristo: Moraram bastante tempo, agora estão todos mortos.

(...)

Celina: Dessa família dos Vieira, quantos ficaram lá?

Evaristo: Ficaram todos até morrer, agora são mortos, tem neto, Bisneto, tataraneto...

Celina: Todos esses filhos do Joaquim e da Marcelina ficaram compropriedade lá?

Evaristo: Ficaram lá, moravam e trabalhavam lá. As capoeiras estão todas lá.

Celina: E os filhos do Sebastião, do João e do Domingos Vieira?

Evaristo: Ficaram até o fim da vida deles, depois morreram e acabou tudo. (Evaristo Pereira de Moraes, neto de Joaquim Vieira)

Celina: Quem foram os primeiros que estiveram aqui nessa parte da  averna?

Aparecida: É do meu sogro, Venâncio Placídio Vieira, que morou lá. Tem até o aterro da casa dele defronte àquele corguinho, onde tem uma jabuticabeira, (...) em na beira da água.

Celina: Seu sogro é nascido e criado lá?

Aparecida: É nascido e criado lá.

Celina: A senhora sabe quem eram os pais dele?

Aparecida: Era Domingos Dias Vieira. A mãe era Carmelinda. (Aparecida Pedrosa de Morais).

Jaime: O Domingos Dias Vieira, naqueles tempos lá era um sertão, era mato bruto, era mato de bicho mesmo. Então, naquele tempo que a pessoa entrava em qualquer lugar assim, abria aquela, no dizer deles, dos antigos, capuava, abria aquela capuava e lá ficava no mato. Então fazia dois alqueires, três alqueires, fazia um paiolzão e lá ficava. E lá criava a família e depois iam abrindo acampamento, acampamento. Até que meu avô formou tudo aquilo lá e depois vendeu aquela área da caverna e ficou morando lá até que morreu lá.

(...)

Celina: Quem mais morava lá, o senhor sabe se tinha algum irmão do seu avô?

Jaime: Do Domingos Dias Vieira, que eu lembro, tinha um cunhado dele que morava mais para frente da caverna, um lugarque não sei se chamam ainda nesse nome (...), que chamava Rolado o lugar. [...] O nome era... Faz muito tempo, custa lembrar... Segundo. (...) Era cunhado de Domingos Dias Vieira.

Celina: Era casado com a irmã do Domingos Dias?

Jaime: Foi casado com ... Um era casado com a irmã de outro, eram concunhados, agora eu não sei qual dos dois que era casado com a irmão do outro. Então, quando eles entraram naquele sertão lá, que meu pai contava, então dividiram. Meu avô ficou naquela parte lá da caverna, que se chama Tapagem, e ele ficou da boca da caverna para frente com o nome de Rolado, dividiram o terreno. A parte do Rolado era do Segundo e a parte da caverna para cá era do meu avô Domingos Dias Vieira.

(...)

Na Tapagem tinha o Venâncio com a família inteira que morava lá, que era meu tio; mais para baixo, tinha o José Zeferino, que morava do nosso lado [...]; mais para baixo ali morava meu pai, mais para fora, tinha os outros morando lá no rio [Ribeira].

Celina: Tinha bastante gente morando na beira do rio?

Jaime: Na beira do rio tinha bastante. Ali tinha a família [dos] Pedroso,  moravam todos ali.

Ignez 50: Quer dizer que essa turma que está lá hoje é tudo descendente dessa turma aí?

Jaime: É, é.

Ignez: Tem bastante gente, tem setenta casas lá.

Jaime: Aqueles mais antigos que tem ali, são tudo família dos Pedroso.

Celina: Dos Vieira...

Jaime: É, Vieira, Pedroso.

 

Vimos, em capítulo anterior, que as famílias negras estabelecidas no Vale do Ribeira viveram um processo de acamponesamento passando a compor bairros rurais, conforme definição de Maria Isaura Pereira de Queiroz51, com um modo de vida caipira, conforme categoria de análise estabelecida por Antonio Candido 52. Esta observação obviamente também é válida para André Lopes. Os mais velhos gostam de falar a respeito da vida antigamente:

Aparecida: Os mais velhos de primeiro, eles não tinham nada disso. Onde eles encostavam uma foice, eles roçavam e plantavam e não tinha nada de Meio Ambiente. Hoje em dia está tendo isso. Mas os meus mais velhos não tinham nada disso. Onde eles iam fazer uma roça, lá eles botavam a foice e plantavam. Quando era época de plantar feijão, [diziam]: “eu vou fazer uma roça lá de plantar feijão” e iam lá e roçavam. (...) Eu mesma trabalhei (...). Aquele fundo que tem lá assim, que desce aquele bananal, que desce aquele caminho da toca [caverna], por ali tudo eu trabalhei. (...) Ali era da minha família. Ali nós colhíamos arroz, nós colhíamos feijão, nós colhíamos de tudo.

(...)

Eu mesma fazia mutirão. Meu marido ficou doente e eu fiquei sozinha para trabalhar. (...) Aí a turma falou “vamos dar uma ajuda a ela porque o arroz dela está muito para ela colher sozinha”. Aí um dia nós reunimos bastante gente. Deu um tempo bom, pus a lata de comida nas costas para [fazer] o rancho para os camaradas foi lá naquele lugar lá onde tem a roça até hoje, no caminho daquela toca [gruta]. (...) Uh, mas teve gente! De tarde teve um bailão! Teve o almoço, o café, tudo, e de tarde o baile, a janta para o pessoal. (...) Eu mandei a cozinheira manejar na janta porque eu estava na roça. (...) Colhemos todo o arroz, encheu o cômodo lá.

Celina: Então era bastante arroz, heim?

Aparecida: Era grande a roça, ainda ficou um pedaço para eu

colher sozinha.

Celina: Quantas pessoas foram trabalhar com a senhora?

Aparecida: Umas trinta e poucas pessoas. (...) Eu não podia fazer sozinha, precisei de ajuda.

Celina: Antigamente fazia muito mutirão, não é?

Aparecida: Fazia, mutirão saía demais antigamente. (...) [O dono da roça] ele vinha aqui, dizia “eu quero que você venha sábado que eu vou fazer mutirão”. O pessoal pegava aquele caminho, que não era assim [apontando para a atual estrada da caverna], era mato. (Aparecida Pedrosa de Morais).

Jaime: Feijão, arroz, plantava a rama para fazer a farinha.

Celina: Fazia para vender?

Jaime: Para vender, para usar. Arroz socado em pilão, café. Plantava aqueles capão de café lá na serra. [...]

(...)

Celina: Então, das coisas de comer, não precisava comprar nada?

Jaime: Eu lembro que no tempo do meu pai o que mais comprava, não tinha energia [elétrica], era querosene e sal. A maioria das coisas, tinha de tudo em casa, tinha arroz, feijão. Açúcar, ninguém usava, era cana, cana moída. Fervia a garapa, às vezes fazia melado, punha na lata de 20 litros e ficava guardado, podia fazer o café e temperar, agora, aquele melado é ruim para fazer o café porque não derrete!

(...)

Celina: Fazia roça muito grande naquele tempo?

Jaime: Fazia, meu pai plantava um alqueire de mandiocal naquele serro ali. Plantava para fazer farinha e plantava para dar para a criação, para criar porco. Arroz, plantava de nove, dez alqueires.

Celina: Então precisava de bastante gente para trabalhar?

Jaime: Precisava de bastante gente para trabalhar. Meu pai, tinha vez que ele fazia roça ali de quatro, cinco alqueires de arroz. Alqueire que nós falamos, é meio saco. Plantava ali, depois cortava o arroz, naquele tempo, ninguém cortava arroz assim, era tudo no canivete, punha aquela turma de gente para colher. Achava bonito porque, quando o arroz estava maduro, descia muito passarinho na roça, periquito, aquela tiriba, tucano [...], achavam bonito então. Papai não deixava ninguém atropelar passarinho, ficava colhendo arroz e aquelas pombas desciam, e tinha que espantar. Papai dizia: “não atropela o passarinho, ele está cantando bonito”. Era bonito ver.

(...)

Eu, com idade de dez anos, eu ia tirar mandioca lá naquele [...] com o meu pai.

Celina: As roças eram longe das casas?

Jaime: Longe e na serra. Tinha lugar que nós trabalhávamos, chamado Pedra Branca, para cá da caverna, não é que era muito longe, mas subia serra, descia serra pulando por cima de pau, pedra, era difícil para subir.

Celina: Tanto é que vocês moravam na beira da estrada e tinham roça lá dentro na Pedra Branca...

Jaime: Trabalhava por lá tudo na Pedra Branca.

Celina: Tinha mais lugar que trabalhava?

Jaime: Trabalhava na Pedra Branca, trabalhava ali para trás do

rio, trabalhava naquela cabeceira.

Celina: Qual rio?

Jaime: Na beira do Ribeira, nós trabalhávamos por ali tudo. Toda

parte ali que tinha folga, que não tinha gente morando.

Celina: E na Tapagem, tinha roça?

Jaime: Tinha, trabalhava lá também.

Celina: Então quer dizer que tinha várias roças da família?

Jaime: Naquele tempo não tinha impedimento de gente quase, onde a pessoa dava na cabeça, ia lá e fazia uma roça. Onde a pessoa via que dava uma planta boa, ia lá e fazia uma roça, tirava aquela roça e deixava o mato lá, já ia fazer roça noutro lugar, era assim.

(...)

Celina: Então as áreas de capoeira da família não eram só na Tapagem?

Jaime: Tinha em toda parte, todas as famílias tinham. Ali fazia uma roça num lugar, outro fazia roça noutro lugar, cada pessoa fazia roça num lugar. Inclusive meu pai tinha três filhos que se criaram junto com ele. Eu também me criei junto com ele, mas eu trabalhava junto, eu só saí de casa quando casei, eu saí de casa com idade de 27 anos, trabalhava junto com meu pai, não fazia serviço apartado. O finado Antonio, o finado Aristides, que eram meus irmãos, quando eles se paravam com uma idade, eles faziam roça separado, então meu pai fazia roça num lugar, eles fazia noutro, cada um fazia uma roça para ele.

Celina: A partir de que idade?

Jaime: Até 18, 19 anos, a pessoa acompanhava o pai, depois cada qual fazia para si. Mas, quem tinha amor no pai, eu até com a idade de 27 anos, trabalhava junto.

Celina: Então tinha aqueles que com 18, 19 anos faziam a sua roça, mesmo solteiro?

Jaime: Mesmo solteiro. Então ele dizia: “Lá é minha capoeira, eu fiz uma capoeira. Lá é meu”. (Jaime Morato da Silva, neto de Domingos Dias Vieira).

Os depoimentos acima exemplificam bem alguns temas que tratamos em capítulos anteriores. Estas falas de moradores são narrativas de relações de parentesco, de trocas sociais, econômicas e simbólicas, e de representações que regem o uso e a interação com o meio ambiente. Em suma, narram, a partir de um ponto de vista local, ou seja, o dos moradores de Nhunguara e André Lopes,  pequenas histórias fundamentais para a compreensão da história mais ampla da constituição das comunidades rurais negras do Vale do Ribeira.

Já vimos que estes grupos quilombolas nunca viveram isolados, tendo sido fornecedores de gêneros alimentícios para o mercado local, regional e mesmo mundial e, como qualquer grupo camponês, viviam relações de subordinação com este mercado. Esta subordinação, no caso destes descendentes de africanos escravizados, sempre foi muito pronunciada, tendo vivido um cotidiano de trabalho agrícola muito intenso.

Até o início do século XX transitavam pelo Ribeira de Iguape barcos a vapor comprando a produção agrícola diretamente dos moradores. Posteriormente, o modo de comercialização mais comum passou a ser a venda para os armazéns localizados na beira do Ribeira. Como aí também compravam sal, querosene, tecido, ferramentas, aguardente e, posteriormente, outros itens, resultava que raramente conseguiam obter algum dinheiro com a venda de sua produção após pagarem sua conta. A partir de 1950 passou a ser comum que os agricultores ficassem endividados, ou seja, mantinham-se com os produtos do armazém enquanto faziam sua roça e na colheita entregavam toda ou quase toda a produção para saldar a dívida que haviam acumulado. Ao longo dos anos a população incorporou novos hábitos e foram criadas novas necessidades de consumo, crescendo a lista de itens adquiridos. Os valores obtidos com a venda do produto in natura também tornaram-se insuficientes para adquirir aquilo que não era produzido no sítio. Referindo-se a esta situação, L. Carril afirmou que “O armazém era o patrão”53.

Dependendo das quantidades e do acordo feito, o comerciante buscava o produto nas roças, em lombo de mulas. Grande parte do transporte, contudo, era feito pelas famílias produtoras, “nas costas”, até a beira do rio, de onde seguia de canoa até Eldorado ou mesmo até o Porto em Iguape. Apenas um número pequeno de agricultores dispunha de cavalos ou mulas, permitindo-lhes autonomia no transporte de sua produção e, assim, vender e comprar a preços bem mais vantajosos.

O trabalho agrícola dos dias de hoje realiza-se do mesmo modo como o faziam os antepassados, apoiado em um saber-fazer que exige profundos conhecimentos da natureza e seus ritmos, o que inclui, além dos tipos de solos apropriados para as diversas culturas, a época do ano e a fase da lua mais apropriadas para o plantio e para a colheita.

Nos meses de janeiro e fevereiro, é tempo de preparar a terra: limpar a roça e queimar o mato derrubado três meses antes. Entre fevereiro e março, planta-se o feijão combinadamente com a cana-de-açúcar. Mas tem que ser na lua minguante para não carunchar o feijão. A cana, a princípio, pode ser plantada em qualquer mês, mas os moradores explicam que quando plantada nos meses de fevereiro, março ou setembro, ela fica “especial”, muito mais doce e suculenta. Em abril, começa a colheita do arroz, que vai até maio. Antigamente, quando as roças eram maiores, com até doze alqueires, a colheita ia até junho. Em julho, limpa-se uma nova roça ou prepara-se a mesma onde foi colhido o arroz, para o segundo plantio anual do feijão, que vai até setembro. Julho também é mês de plantio de milho e rama de mandioca. O milho, assim como o feijão, tem duas épocas anuais propícias para o plantio: julho, que os moradores chamam de “milho de cedo”, e novembro, que chamam de “milho de tarde”. A batata doce, quando plantada entre os meses de janeiro e maio, pode ser colhida dentro de três meses, mas se plantada em julho, demora seis meses. O cará de espinho pode ser plantado em qualquer mês, mas setembro é a melhor época porque permite a colheita em nove meses; quando plantado em outro mês, demora dois anos para ser colhido. Banana nanica, se plantada em fevereiro, dá em nove meses; se plantada em outro mês, demora um ano. O taiá e o inhame são plantados de julho a dezembro e podem ser colhidos no prazo de aproximadamente um ano; quando plantados no primeiro semestre, demoram mais tempo para ser colhidos.

Essas atividades agrícolas são praticadas até os dias de hoje por algumas famílias, apesar das restrições impostas pela legislação ambiental, e garantem a alimentação diária. O impedimento dessa atividade, nos últimos anos, juntamente com a falta de oportunidades de emprego, tem obrigado muitos moradores das diversas comunidades negras da área a trabalharem na extração clandestina do palmito, o que os coloca em situação de criminalidade.

 

46 Segundo definição do IBAMA, “Unidade de Conservação é o espaço territorial delimitado e seus componentes, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo poder público para a proteção da natureza, com objetivos e limites definidos, sob regime de administração ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção. Podem ser criadas pelos governos federal, estadual e municipal”. (Brasil, 1995 apud São Paulo (Secretaria do Meio Ambiente) 1996: 60).

47 A Guarda Nacional representava a força militar do Império, seu oficialato era formado

diretamente pelos latifundiários, comerciantes e políticos, a aristocracia imperial, e cujas ações

fundamentais se voltavam para o controle d ordem interna e a manutenção do poder da

aristocracia agrária. Ver Os Voluntários Paulistas na Guerra do Paraguai, 1997: 23.

48 Mirales, 1998.

49 O quadro de parentesco em anexo mostra as alianças estabelecidas entre famílias do mesmo

50 Maria Ignez Maricondi, arquiteta, trabalha no ITESP na elaboração...

51 Queiroz, 1973.

52 Candido, 1971.

Fonte: RTC ITESP outubro de 2000.



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