Nome: Associação dos Remanescentes do Quilombo do Bairro Pedro Cubas

 

Fundada em: 26 de agosto de 1998

 

 

Publicação RTC: D.O. E – Diário Oficial do Estado; Poder Executivo, Seção I, São Paulo, 108 (217), terça-feira, 17 de novembro de 1998 – 5 - 6.

RTC - Relatório Técnico Científico de identificação étnica e territorial dos remanescentes de Quilombo feito pela antropóloga Cleyde Rodrigues Amorim e equipe técnica da Assessoria de Quilombos do ITESP - Instituto de Terras do Estado de São Paulo.

 Memória Descritivo: Perímetro 10º, 11º e 23º de Eldorado Paulista

                                     Município Eldorado

                                     Gleba: Comunidade de Pedro Cubas

                                     Área: 3.806,4237 (ha)

 

Título de Domínio em: 12 de fevereiro de 2004. 

 

HISTÓRIA DO QUILOMBO PEDRO CUBAS 

Descrita por inúmeros viajantes e exploradores científicos, essa localidade, cujo principal rio leva o mesmo nome, “possui 29 quilômetros de extensão, com 3 ilhas, 12 afluentes na margem direita e 8 na esquerda”(Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo; 1914: IV). Paulino de Almeida (1955: 12-13) relaciona os afluentes do Rio Pedro Cubas: “Quebra Canela, Braço Grande, Areado, Bromado onde existe muito ouro, e Penteado, também aurífero. Pela margem direita:Laranja Azeda, Catas Altas, Chico Ramos, Rapoza, Forma de Colher, onde além de ouro existe ferro, Quebra Canoa, aurífero e ribeirão do Pinto, onde existe manganês.”

Os moradores de Pedro Cubas relacionam a formação do bairro a um negro chamado Gregório Marinho que teria sido escravo da fazenda Caiacanga:

“naquela época deu uma folga e eles entraram nos matos aqui, fugiram da fazenda e veio se acampar aí na cabeceira do rio e foi juntando mais pessoas. Mais pessoas fugiram a juntaram na praia que eles chamaram praia do Gregório Marinho e foi juntando aquele montinho. E assim veio vindo aquela geração, depois veio a comunicação com o povo de Ivaporunduva, onde teve muito escravo também. Assim foi crescendo”

Os informantes moradores em Pedro Cubas mencionam, explicitamente, a formação do bairro como decorrência do ajuntamento de negros fugidos de fazendas da região. A relação estabelecida com Caiacanga coincide com os dados sobre a importância dessa propriedade em volume de produção e uso intensivo de mão-de-obra escrava. Entretanto, a formação de Pedro Cubas não deixa de estar associada a Ivaporunduva: muitos dos troncos que aparecem em Ivaporunduva até meados de 1840 reaparecem em Pedro Cubas nos registros do Livro de Terras. É o caso dos Marinho cuja presença em Ivaporunduva pode ser identificada já em 1817. Um certo Gregório Marinho, residente no córrego do Mundéo em Ivaporunduva em 1849 quando batizou, unido a Felicia Lopes, a filha Rosa, reaparece registrando seu sítio sob o assento no 465 em Pedro Cubas, no ano de 1856, cujas divisas encontravam as terras de Miguel Antonio Jorge “em uma capuava” e de Manuel Antunes de Almeida em uma “restinga de mattos virgens”. Vicente Marinho que, em 1849 batizava, unido a Maria Antonia, o filho Generoso e declarava residir em Ivaporunduva, também reaparece em 1857 registrando sob no 488 seus “dois cultivados possuídos para mais de 10 annos”: o primeiro no “Córrego Comprido” e o segundo na “paragem denominada Penteadinho no rio de Pedro Cubas”.

Parece certo que a população negra que se manteve livre durante o período escravista ocupou essa região do Vale do rio Ribeira como uma área de continuidade geográfica, estabelecendo-se segundo padrões similares de organização sócioeconômico-cultural na medida em que o acesso à terra pelo trabalho constituiu-se como um critério básico para definir a pertinência ao grupo e a noção de comunidade. Os relatos indicam, ainda, que os casamentos eram uma maneira de garantir acesso à terra e, por meio da descendência, estabelecer novos núcleos e manter os braços necessários à produção da lavoura:

Eles plantavam arroz, plantavam feijão, plantavam milho, criavam porco e animais. Eles ocuparam mais lá para cima pro lado do rio do Peixe, pro lado do Penteado e aqui mesmo. Era tudo espalhado, não tinha aquele povo num bairro só. Casavam e iam lá para onde estava o sogro, iam para onde estavam os cunhados e era assim”.

Fonte: RTC ITESP 1998.



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